O mendigo e o jornal.

Acordo todo dia 5:30 da manhã…
Coloco o celular no soneca, 3 vezes.. então me levanto as 6:00.
Banho, café e todo o ritual de me vestir para o trabalho, colocando sempre a perna esquerda antes da direita na hora de vestir a calça.
Os ajustes finais ficam para o elevador, torço para que seja o com espelho o mais rápido a chegar no meu andar,
mas sempre sobra algo para ajeitar na rua a caminho do ponto de ônibus.
E foi no dia de hoje que ao dobrar a manga da blusa, reparei.
Naquele pobre senhor que a muitos anos mora ali, entre a árvore o fusca 73 azul, no meio da rua mesmo.
A anos ele diz que procura sua família, mas nunca sai do mesmo lugar.
Me disse que não sabia ler nem escrever.
Anda com um caderno e uma caneta, sempre me pergunta que horas são, logo quando me vê.
Me chamou aquela manhã, por que folheava o jornal.
Eu que já havia lido o mesmo exemplar que recebera em casa pela manhã estranhei o mendigo que tanto sorria ao ver aquelas imagens
E pensei comigo se por um acaso havia reconhecido o rosto de algum familiar, se havia um lampejo de esperança para terminar sua história.
Me disse que não reconhecera ninguém…
Continuei seguindo meu caminho para o ponto de ônibus, quando o meu ônibus que estava a 20 metros do meu ponto atravessou o sinal e colidiu em um carro vermelho
O Mendigo novamente ria.
Eu percebi, que se alegrava em perceber que ele não fazia parte daquele mundo de tragédias que todo dia é noticiado no jornal.
O meu bairro é humilde, o jornal não dá tanta importância, aquela família que estava dentro do carro talvez não vire notícia, mas certamente eu chegarei atrasado no trabalho
E o mendigo continua rindo…

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À domadora dos Homens e dos Deuses

Ontem a noite estive conversando com Selene.
Contando minha história
E como conseguir juntar tantas moedas.
Mas ela, muda como sempre, apenas me ouvia.

Dizia para ela que hoje eu viria
Que pelo menos a ti escreveria
Pedinto para que me envie teu filho, o Caronte.
Essa moeda é para pagá-lo.

Deixe que me diga quantas moedas necessário for
A ele tenho muitas
Mas apenas uma viagem quero fazer
Atravessar o Aqueronte sozinha.

Seria feliz um dia, no qual me deitaria
e pela manhã não mais me levantaria.”

E ao chegar em casa, a jovem professora encontrou esse poema entre os poemas de seus alunos do sétimo ano, mas era tarde demais enquanto ela lia a promissora aluna saltara da varanda do sexto andar.

Um texto antigo

Nascida em 16 de julho de 1950, Moradora de Copacabana no Rio de Janeiro.
Já é viúva e mãe de dois filhos, um casal que não a visitam a muito.
Gosta de cuidar de plantas e fazer biscoitos de manteiga, biscoitos gostosos os quais distribui pelo prédio onde mora e aproveita para conversar com os vizinhos, seu hobby, a fofoca.

Fala mal de tudo e de todos, mas é profissional, ninguém desconfia que ela seja o estopim das brigas pelo prédio.
Certa vez casou uma confusão que um vizinho chegou a arremessar um de seus biscoito em outro durante uma briga, pior foi o dia da reunião de condomínio que a briga se tornou tão grande que não havia mais biscoitos para serem atirados. Pobre do zelador que iria varrer aquele terraço.

Enquanto cuidava de suas plantas ficava escutando, rindo e imaginando o que estava por acontecer de trás de tamanha gritaria. Chegado o verão as plantas eram muitas e os biscoitos eram poucos,
o síndico pedira para que parasse de fazê-los pois o zelador não aguentava mais varrê-los.
Contrariada, pegou e fez uma enorme fornada, nunca se viu tanto biscoito, deixou no terraço e foi para casa. De praxe com a mão em sua planta favorita que ficava na janela da cozinha ouvia e ria
de tudo que imaginava.
No mês seguinte já não haviam mais biscoitos amanteigados em qualquer apartamento daquele prédio, o zelador arrombou a porta para tentar ver o que se passava e descobriu um corpo
gelado deitado próximo a janela da cozinha, triste fato deve ser morrer sozinha e na certidão de
óbito dizia que o tipo da morte seria dengue.
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Texto de 04 de maio de 2013